Daniela

segunda-feira, 23 de março de 2015

Adapte-me camaleoa


Trata-se de uma sociedade muito hipócrita essa nossa. Hipócrita e retrógrada, que em pleno século XXI ainda enxerga somente um único modelo de família. Uma sociedade que sequer se preocupa em reclamar ou simplesmente questionar as inúmeras demonstrações de violência e covardia - temáticas constantes em novelas, programas corriqueiros ou em acontecimentos cotidianos. Mas sim, uma coleção social que se treme frente manifestações de carinho e afeto, única e exclusivamente por não conseguir se desvencilhar das fatídicas amarras do Gênero. É próprio de uma sociedade deturpada sair às ruas bradando palavras de ódio para exigir respeito e que desrespeitar para exigir justiça.
O grande problema aqui, a questão maior em relação à polêmica do "beijo gay", não é tão somente consolidar o preconceito enquanto vestimenta prima de uma instituição falida e doente, mas principalmente revelar a face mais triste e desesperançosa da humanidade - a ausência da capacidade de aceitar e de evoluir. 
Eu não sei o que sinto mais: nojo, vergonha ou tristeza. Eu por mim, clamaria por indiferença, mas não consigo me furtar ao lamento profundo e a revolta veementemente. Reverencio Marx, em sua máxima "A religião é o ópio do povo", mas no fundo me pego pensando no próprio Cristo quando em seu ensinamento mais complexo: "Amai-vos uns aos outros como Eu vos amo". Sábias palavras Senhor... Dementes são os que as desentendem. 

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Alameda em branco e preto


A estrada é seu caminho,
Mas quem passa por ela sou eu!
O presente é seu carinho,
Mas no passado de fato doeu...
Quem pensa que ao longe caminha,
Caminho sua estrada com o passo que é só meu!

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

De jabá, de jibeira e jiló


EU SOU NORDESTINA. Sou porque sou neta de 2 potiguares, 1 baiano e uma mineira bem do norte do estado, (região inclusive compreendida pela SUDENE) quase Bahia.
SOU NORDESTINA porque escolhi viver na Paraíba. Aqui eu trabalho, eu vivo, eu luto, eu sonho, eu faço.
Sou nascida em Brasília, a capital do país, construída com o suor e o trabalho duro de muitos nordestinos.
SOU NORDESTINA e, sim, sou inteligente, sagaz, estudada, preparada. Tenho raiz, tenho alma, e tenho muito orgulho.
SOU NORDESTINA. Sou de Caymmi, de Gil, de Suassuna, de Jackson do pandeiro, de Pedro Américo, de Jorge amado, de Graciliano Ramos,  de Luiz Gonzaga, de Dominguinhos, de Chico César e de tantos outros mestres que são queridos e reverenciados no Brasil e no mundo. Portanto, Sou Rica de Culturas e totalmente absorta por ela. Sou negra, sou índia, européia. Sou tudo de todos. Sou todas em uma.
SOU NORDESTINA. Sou de onde saem a cana de açúcar que finda por abastecer os carros a álcool do país inteiro, assim como a mamona, principal matéria prima do biodiesel. Nordeste este que também fornece o cacau, boa parte do café, o camarão, a lagosta e tantos outros produtos indispensáveis ou simplesmente sonhos de consumo de muitos.         
SOU NORDESTINA e assisto feliz à migração sazonal trazendo milhões de brasileiros e estrangeiros que passam o ano pagando as férias ou gastam aqui suas fortunas. 
SOU NORDESTINA e recebo com todo o carinho e a simpatia que nos é peculiar, àqueles que veem em busca de paraíso e de uma experiência inesquecível.
SOU NORDESTINA e acima de tudo sou grata por não ser xenofóbica, neonazista, elitista, preconceituosa ou classicista. Sou orgulhosa por inclusive perdoar tanta incongruência, ignorância e inconsequência.
SOU NORDESTINA,
Sou Daniela LAFETÁ, sou BRITO, sou NOVAES e sou GUERRA.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Mala assanhada


Normal até agora
Hora de ir embora
Embora haja tantas razões pra ficar

Beber e babar até cair
De Caim em Abel
O mar Egeu abriu e se ergueu em fim

Eu sim vou nessa
Que é ruim a beça
E não me interessa se vou voar

Delícia de Nova Deli 
De decida em pele
Delicada espada que enfio em mim

Hoje estou poeta
Sou profeta incerta 
De concreta certa de que não desfiz

Seu nome some
De terrível fome
Em faísca cisca no oceano anil

A destreza à mesa 
Da mesma lesma 
Matriz de morfina da menina atriz

Por fim firmo
Que afirmo e confirmo
O dimorfismo do cinismo contido em mil

domingo, 14 de setembro de 2014

Os punhos da nobreza


A vasta fauna nefasta se afasta das trevas e vem me assombrar
O monstro jazente no esgoto me mostra o desgosto da noite assombrosa
E o claro clamor das montanhas arrastam nefastos entreveiros amargos.

Amigo!


Heitor, menininho, bebê
Pra quê você vai crescer?!
Sempre há de caber em meu peito
De lá não saberá correr!
Criança, garoto, dengoso
De que vamos hoje brincar?
Quero brincar de pega-pega,
Quero brincar de circo!
Pego seu olhar, rio com seu sorriso,
Criança, neném, Amigo meu!
Corre corre sem fadiga,
Devagar pára e caminha!
Acorda e vai pular corda,
De tarde pula amarelinha!
Quer plantar feijão no algodão?
Ou prefere comer favos de mel?
Vamos ver Papai Noel que já é natal!
A gente vai brincar na praça, que tal?!
Criança, lembrança, esperança!!
Pule bem preciso, e continue a dança!
Suba em árvore, nade em rio,
Rode o pião que nunca cansa!
Criança do meu coração,
Cresça por fora mas por dentro não!

DN - DL

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Abstrata Abscissa


Assim eram 14 agora 41
No inverso do tempo nas costas
As curvas tornaram-se reta

Nos ossos de rotas opostas
Dos eixos formaram-se notas
Então no santo o encontro
E o torto converteu-se em centro

No dia de hoje em contento
Alegro na meta retida
E feliz com a vida estendida
Parada no cerne comum

Assim foram 14 e hoje 41!

29 de julho de 1987 - 29 de julho de 2014