Daniela

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Teorema de Valentina


Nas noites eu me expus de costas desejando respostas num murmurar sem fim
Por vezes me vi em mulheres esperando milhares de migalhas com gim
Em camas conheci a lama do melodrama mudo da solidão de mim
Às almas murmurei sozinha as migalhas minhas ao desejar um sim

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

A última asa da borboleta



Se soubesse que era o meu findo minuto
Não perderia meu tempo contando os segundos
Se soubesse o sapato ao percorrer o caminho
Correria profundo em desembalada carreira
E se vivesse em vão meu derradeiro tormento
Sorriria profundo sem saber se valeu!

sábado, 3 de agosto de 2013

Caramelo e morangos


Olha só que delícia, aqui estamos nós num quarto de hotel com cama de mola e lençóis desgrenhados. Até parece que é o tempo em que vivíamos seguros de que nada morria e sem temer o que viria, vivíamos felizes! Sem medo do dia em que viraríamos saudade, cá estamos vivendo um tempo em que tarda. E no vazio das tardes não tínhamos medo, em um tempo em que tudo era festas vibrantes e de brilhos intensos. Estamos num quarto onde éramos instantes que pensávamos eternos e imbatíveis comuns. Hoje aqui estamos na fortaleza dos sonhos, na bacia das almas, na estrutura lembrança, na fantasia da história! Hoje que lembramos ao olharmos distantes, os prazeres longínquos e os sorrisos sinceros! E hoje entendemos que nas camas de mola nós vivemos histórias que tornaram-se sempre! E vivemos a vida a prendermos na história de que somos memória sem perdemos a estrada!

terça-feira, 25 de junho de 2013

O vadio vazio


Um dia a gente se acorda e se beija
Se abraça e deseja que de noite enfim...
A noite então chega trazendo nos ombros
O monstro que vela
O vazio sem fim

Na finitude se encerra
Nas garras da fera
O amanhecer da noite eterna

E no dia que acorda
A dois e à espera
Se passa à metade na vida que vai
E se esvai o eterno amor
E passa a ser um infinito ardor.

sábado, 15 de junho de 2013

Recôncavo perdido


Você me deu o mundo
E me ensinou a viver sem você
Você me fez em sonhos
E eu aprendi a viver sem te ter
Eu te dei o melhor 
Que um dia eu podia querer
Eu que jamais fui criança
Jamais aprendi a crescer

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Hoje


Quero o não-abandono de um abraço
Num traço de esperança
Quero eu com a mão no seu braço
Na luz suave de uma criança!!! 
D.L-War

sábado, 4 de maio de 2013

2219914052



Depois de anos a gente ainda se engole, se bole, e ainda hoje 
"que você me esfole!"
Depois de décadas eu ainda te engulo, me anulo, me embrulho no teu cerne, na sua carne, tal qual um verme!
Depois de tempos você ainda me come, me consome, e por favor
"me detone!"
Afinal, hoje sabemos que então nascemos pra só sermos, pra nos fodermos...  
E contra todos os enganos ainda nos engasgamos entre línguas quando atravessamos as gargantas e entupimos as narinas com o cheiro devasso dos nossos corpos em chamas!